segunda-feira, 20 de abril de 2020

Sobre a Amizade



Sobre a Amizade

A amizade é uma fonte fresca de esperança,
Que nos farta em sensibilidade e benfazejos,
Da qual devemos beber com abundância.

Quando verdadeira, não há bem maior,
Eleva-nos a alturas deveras imensuráveis,
Trazendo à tona o que temos de melhor.

Supera Eros, esse vil infligidor de dores,
E é parceira inexorável do altruísta Ágape,
O mais belo e incondicional dos amores.

Há os que não acreditam neste sentimento,
Pois têm mágoas profundamente enraizadas
E ainda não sentiram tamanho portento.

Talvez pela própria natureza individualista,
Não possuam capacidade para se expressarem
E não acreditam em outros seres altruístas.

Outros só sentirão mais tarde essa virtude:
Quando os corações finalmente se abrirem,
Suas almas poderão provar tal magnitude.

Infelizes são alguns poucos desgraçados,
Cuja decepção com sua espécie é tamanha
Que jamais lhes permitirão ser tocados.

Esses que não se abrem para o fato de que
Viver é mais que receber, sobretudo é doar,
E são nossos amigos que nos fazem crescer.

Dentre tantas lições que a vida nos traz
Deveríamos nos dar a chance de aprender
Com a afeição e a amizade dos animais.

Talvez sirva a outros, o que trago comigo:
Que a amizade é um bem a ser conquistado
E para se TER amigos é preciso SER amigo.

Nardélio F. Luz
120819

terça-feira, 14 de abril de 2020

Salete



Salete

Você é mais, muito mais!...
Por tanto radiante que seja,
A beleza do dia fica lá atrás,
Comparada a sua nobreza.

Você é a mais graciosa flor,
Que faz o próprio sol sorrir;
É a fiel encarnação do amor,
Confiança assente no porvir.

A doce e sublime lembrança,
As loucuras da própria razão,
Que anexa a afável esperança,
À alma imortal e ao coração.

Você é a chuva para a planta,
O justo amanhã que promete;
É o sorriso doce que encanta,
A pura simplicidade: é Salete.

Nardélio Luz
140420

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Saibam o Senhor e a Senhora



Saibam o senhor e a senhora...

Um dia a magia de Deus chegará aos
corações de todos os seres humanos
— único lugar que ainda não é onipresente —
e suas mentes se iluminarão como as estrelas;
então a chuva terá lavado todas as agruras,
o sol terá aquecido os corpos e as almas
— por mais frias que possam ser hoje —,
o sorriso terá derrotado todas as tristezas,
o amor terá unido em uma todas as raças,
qualquer pranto haverá de ser de alegria,
o vento estará soprando a fresca esperança
e todas as coisas e as pessoas estarão melhores.
O mal, então, será apenas um vestígio distante,
que a vigília jamais permitirá ser repetido.

Nardélio Luz
090420

terça-feira, 24 de março de 2020

Soneto da Morte Invisível




Soneto da Morte Invisível

Invisível e, desse modo, imperceptível,
Vem a morte em seu silêncio sepulcral.
Hétero, gay... o gênero é indistinguível,
Como também a raça ou classe social.

Isolando as famílias em seus abrigos,
Para reaprenderem o que já esqueceram.
E na convivência com os entes queridos,
Buscarem o resgate do que perderam.

Como surgiu não havia quem falasse,
Somente quando já lotava os hospitais,
Permitiram que ao mundo alertasse.

O fato é que não há registro nos anais,
De praga natural ou criada, que matasse
Só os humanos e poupasse os animais.

Nardélio Luz
220320

sábado, 14 de março de 2020

Ter Amigos é Bom Demais




Ter amigos é bom demais!!!

Ontem eu estava no hospital esperando para tomar o antibiótico na veia, quando uma enfermeira do PROGRAMA MELHOR EM CASA (internação domiciliar) se aproximou sorrindo e perguntou:
— O que você está fazendo aqui?
— Esperando para tomar medicação.
— Infecção urinária de novo?
— Infelizmente, sim... Se eu tivesse tantas namoradas quanto tenho essas infecções, superaria Casanova e Don Juan juntos!
Ela deu uma risada gostosa e em seguida continuou perguntando:
— Ué! E por que você não está sendo atendido pelo Programa?
— Bem isto é melhor você perguntar para o pessoal aí — respondi com um sorriso desdenhoso. — Anteontem tentei convencê-los a fazerem isso, mas simplesmente me ignoraram.
— Isso é um absurdo! Você já é paciente do Programa!
— Sim, mas nem todos os funcionários são dedicados como você, infelizmente alguns  só querem facilitar suas próprias vidas, sem ligar um mínimo para o bem-estar dos pacientes. — lamentei sinceramente.
— Espere um minuto! — ela exclamou, um tanto indignada.
Em seguida pegou o celular e ligou na Central do Programa Melhor em Casa, depois retornou para o interior do hospital. Voltou poucos minutos depois na companhia de um dos médicos que havia me atendido na emergência, semana passada.
O médico foi solícito e pediu a etiqueta que estava colada na minha camisa.
— Tudo resolvido — minha amiga disse resoluta. — Como você já está aqui, tomará a medicação, mas a partir de amanhã nós vamos atendê-lo na sua casa.
— Poxa, obrigado!!! Você me quebrou um galhão! — agradeci, realmente aliviado.
— De nada, imagina. Este é o meu trabalho!
— Mas, e você? Está trabalhando aqui agora?
— Não... Só vim ver uma paciente.
— Poxa, então dei muita sorte de reencontra-la aqui hoje!
Minha benfeitora apenas sorriu, se despediu com um abraço e se afastou para a saída.
E, para meu alívio — sobretudo nesses tempos de corona vírus —, a partir de hoje não precisarei ficar indo ao hospital todos os dias.

Nardélio Luz
140320

quinta-feira, 5 de março de 2020

Rosa Cálida



Rosa Cálida

Os toques do meu paladar urgente,
Nas pétalas abertas da rosa quente,
Faziam brotar a abundante umidade.
Aguçando ainda mais a minha libido,
Baralhando todos os meus sentidos,
Levando-me às bordas da sanidade.

Tentava a custo conter os gemidos,
Mas vede que irrompiam espremidos,
Dentre os lábios ávidos que se afligiam.
Ainda que transeuntes pudessem ouvir,
Àquela altura, nada havia que não ali,
Nem sequer as más línguas existiam.

As gotas abundantes se misturavam,
Entre os pelos elétricos, que eriçavam;
Éramos o exemplo da própria felicidade.
Beijos se ligavam e as carnes tremiam,
Como tais os músculos se contorciam,
Atingindo os limites da flexibilidade.

O arrebatamento não tardou a chegar,
Quando o teso abraço aspirou esmagar,
Tornando-se uno o que antes eram dois.
E conquanto o arbítrio pudesse ser duro,
Ali não importava o passado ou futuro,
E toda a agrura era relegada a depois.

Só o que importava era aquele sentir,
Sem qualquer temor ao fadário por vir,
Doados um ao outro da planta à palma.
Carícias, braços nos braços em abraços,
Adormecemos sob o letárgico cansaço,
Saciados desejos do corpo e da alma.

Nardélio Luz
050320